13/12/07

Moradores manifestam-se contra linha de alta tensão

Dezenas de moradores de Almada manifestaram-se ontem frente ao Ministério da Economia, em Lisboa, para exigir a suspensão da linha de muito alta tensão entre Fernão Ferro e a Trafaria, que dizem pôr em risco a saúde da população. «Queremos a suspensão imediata das obras em curso para conclusão da linha e que seja feito um estudo de impacte ambiental e outro para um traçado alternativo», adiantou ao JN Filipe Santos, representante do Grupo de Cidadãos contra a Linha de Muito Alta Tensão em Almada.

Recebidos por dois assessores do ministro Manuel Pinho, os moradores solicitaram uma resposta urgente para os problemas apresentados. Com postes a cerca de 15 metros das habitações, Filipe Santos diz que «o que está em causa é o prejuízo à saúde da população».

Num comunicado divulgado ontem, a Rede Eléctrica Nacional (REN) garante que a linha «fica muito abaixo dos limites de emissão de campos electromagnéticos fixados pela legislação portuguesa».

Na próxima segunda-feira, os moradores de Almada voltam aos protestos, com uma manifestação em frente à Câmara de Almada, com o intuito de conhecerem a posição da autarquia sobre este assunto.

(fonte: Jornal de Notícias)

Junta da Charneca da Caparica defende enterramento da linha

O Presidente da Junta de Freguesia da Caparica entende que o enterramento da linha de muito alta tensão entre Fernão Ferro e a Trafaria é a solução mais apropriada. Fernando Jorge considerou ainda que a Câmara de Almada vai defender os interesses das populações.

O Presidente da Junta de Freguesia da Charneca da Caparica defendeu o enterramento da linha como solução para o problema da linha de muito alta tensão que vai passar pelo concelho de Almada. Em declarações à TSF, Fernando Jorge admitiu que esta solução poderá trazer custos acrescidos, mas mesmo assim mostrou-se confiante de que a autarquia de Almada vai apoiar as populações.

«Estamos perfeitamente confiantes que a nossa Câmara Municipal de Almada não deixará de defender os interesses da população e de fazer os investimentos que forem necessários para defender esses interesses, nomeadamente o interesse mais alto que é a saúde pública», sublinhou.

Interrogado pela TSF, o Ministro da Economia não quis fazer comentários a esta situação em concreto, uma vez que estão a decorrer negociações entre a autarquia de Almada e a REN.

(fonte: TSF)

Junta de Freguesia «favorável» a Alta Tensão

A Junta de Freguesia da Trafaria (PS) está de acordo com o traçado da Linha de Muita Alta Tensão que a Rede Eléctrica Nacional (REN) está a instalar no distrito. Os comunistas estão contra este tipo de equipamentos junto de zonas habitacionais.

«Questionado várias vezes pelos eleitos da CDU a revelar o seu parecer em sessão pública da Assembleia de Freguesia, a presidente da Junta manteve sempre uma atitude evasiva sem ter coragem de, em sede própria, dizer claramente que a maioria PS a quem os trafarianos confiaram a defesa das suas aspirações e dos seus interesses, não vê qualquer inconveniente em que sejam implantadas na área da Trafaria linhas de muita alta tensão que a mais elementar preocupação desaconselha», acusam os comunistas.

A autarca do PS justifica o seu parecer favorável com o facto de não ser técnica. «Tal facto não a inibiu nem inibe de afirmar que não existe perigo para a saúde e vida das pessoas, ainda que junto à Escola Básica do 1.º Ciclo de Pêra passem postes da rede», denuncia a CDU, explicando: «Os reais impactos dos campos electromagnéticos gerados pelas Linhas de Muita Alta Tensão estão ainda por apurar, mas são muitos os indicadores que apontam para nefastas consequências na saúde provocadas pela exposição a radiações electromagnéticas».

Foi por isso que, na salvaguarda das populações, a Câmara de Almada e o Grupo Parlamentar do PCP, em devido tempo, recomendaram ao Governo a reavaliação do traçado, de forma a compatibilizá-lo com o bem-estar e a qualidade de vida das populações.

Pelo contrário, segundo um comunicado da CDU à população, a Junta de Freguesia da Trafaria «optou por apoiar sem reservas a instalação das Linhas de Muito Alta Tensão assumindo uma clara atitude de subserviência ao Governo, que por razões meramente economicistas se recusa a equacionar outras soluções, remetendo para segundo plano o inalienável direito da população da Trafaria à saúde e ao bem-estar».

Abaixo-assinado

Este é um problema que não afecta só a Freguesia da Trafaria. Esta linha, no concelho de Almada, tem um traçado que atravessa zonas habitacionais e de equipamentos colectivos. Neste sentido, promovido por um movimento de cidadãos, está a circular um abaixo-assinado, que poderá ser subscrito, entre outros locais, no site jf-caparica, contra a instalação desta infra-estrutura imposta pela REN.

(fonte: Avante)

Moradores de Almada criticam Governo e Câmara

Os moradores dos concelhos de Almada e do Seixal protestaram em frente ao Ministério da Economia contra o traçado da linha de Muito Alta Tensão que liga Fernão Ferro à Trafaria, numa extensão de 50km.

Num dos cartazes podia ler-se «Parabéns por Silves, queremos o mesmo

A população não poupou também críticas à Câmara Municipal de Almada, que já decidiu ceder os terrenos para a instalação das linhas.

Na opinião dos habitantes, que exigem uma solução equivalente à encontrada para Silves, a linha deveria passar em locais menos habitados, propondo duas alternativas: o enterramento da linha ou a definição de um novo traçado, junto à auto-estrada do Sul (A2).

Os moradores estão preocupados com os possíveis efeitos negativos para a saúde, além da desvalorização das suas habitações.

«Em todo o mundo, é desaconselhável passarem cabos de muito alta tensão por cima de zonas urbanas. Todos os estudos dizem que há campos magnéticos originados por estas linhas e que têm efeitos nocivos na saúde», disse o Presidente da Junta de Freguesia da Charneca de Caparica, Fernando Jorge. E acrescentou: «Há casas construídas recentemente que já sofreram uma enorme desvalorização, inclusivamente há algumas que já não se conseguem vender».

Depois de entregarem uma petição ao Ministro da Economia, os habitantes de Almada apontam agora baterias para a próxima reunião da Assembleia Municpal de Almada, na segunda-feira, que discutirá a cedência de terrenos para a colocação dos postes necessários para a passagem dos cabos de muito alta tensão, já aprovada pelo executivo camarário da CDU.

«A nossa luta é contra a REN [Redes Energéticas Nacionais], mas queremos uma tomada de posição da Câmara», salientou Filipe Santos, acrescentando que «A Câmara devia ter uma posição mais activa, a única coisa que obtivemos foi solidariedade».

João Rafael Almeida, director do colégio «Campo das Flores», em Lazarim, espera que a Câmara de Almada, presidida por Maria Emília Sousa, volte atrás nesta posição e que se junte aos moradores na contestação ao traçado previsto.

Sabia que...

Em Portugal o limite para os níveis de radiação electromagnética é 500 vezes superior aos valores recomendados pela Organização Mundial da Saúde?

12/12/07

REN garante legalidade do traçado Fernão Ferro - Trafaria

A Redes Energéticas Nacionais (REN) garantiu hoje que a linha de muito alta tensão Fernão Ferro-Trafaria é legal e está «muito abaixo» dos limites de emissão de campos electromagnéticos definidos por lei.

Moradores de Almada e Seixal protestaram hoje frente ao ministério da Economia contra a instalação da linha de muito alta tensão naqueles concelhos, afirmando que a infra- estrutura poderá ter efeitos adversos para a saúde e provocará a desvalorização das habitações.

«Esta ligação, à semelhança de todas as linhas da REN, fica muito abaixo dos limites de emissão de campos electromagnéticos fixados pela legislação portuguesa, cumprindo ainda todas as recomendações da União Europeia e da Organização Mundial de Saúde sobre transporte de energia», refere um comunicado da REN hoje divulgado.

De acordo com o documento, «a linha cumpre todos os requisitos legais e, como é exigível, está devidamente licenciada pelo Ministério da Economia».

«O traçado da linha Fernão Ferro - Trafaria resulta de um processo que, como está legalmente estabelecido, envolveu a participação de um vasto leque de entidades - representantes ministeriais, autarquias, institutos públicos - e das populações locais», refere o comunicado.

Segundo a REN, o licenciamento da linha foi realizado pela Direcção Geral da Energia e Geologia, após «um processo de avaliação concretizado por uma comissão».

De acordo com a empresa, «durante dois anos foram elaborados todos os estudos e obtidos todos os pareceres exigíveis, tendo sido consideradas todas as alternativas possíveis».

A realização de estudos para um traçado alternativo e de um «verdadeiro estudo de impacto ambiental que tome em consideração a situação actual do traçado e os seus efeitos» são reivindicações da população dos concelhos.

A REN explica ainda que o traçado originalmente definido foi sujeito a «diversos ajustes», na sequência da consulta pública e por iniciativa da Câmara Municipal de Almada.

«Estas alterações tiveram igualmente que ser compatibilizadas com os interesses das populações do vizinho concelho do Seixal», acrescenta.

«A linha Fernão Ferro - Trafaria é fundamental para o abastecimento de energia a mais de 160.000 pessoas na zona de Almada», justifica a REN.

«O projecto pretende contribuir para o reforço da alimentação de energia eléctrica em toda a península de Setúbal para permitir dar resposta aos aumentos estimados de consumo de energia a médio e longo prazo», refere ainda.

«Todos os documentos deste processo, projectos, relatórios de avaliação e pareceres das entidades envolvidas são acessíveis ao público», refere a empresa.

(fontes: Diário Digital e Público)

10/12/07

Interesses e responsabilidades

A ausência de discernimento entre o interesse público e o interesse da expansão da REN – empresa em vias de privatização – caracterizam a atitude do Governo. Porém, as entidades envolvidas e com responsabilidade nesta matéria não podem continuar a ignorar as preocupações manifestadas pelos cidadãos, assim como os diversos pareceres produzidos pela Organização Mundial de Saúde em matéria de precaução com a saúde pública, nem os estudos científicos sobre as consequências da exposição das populações às radiações provenientes dos campos electromagnéticos gerados pelas linhas de alta e muito alta tensão.